SARASOTA, Flórida — Um relatório recente indica que, embora a relocalização e o investimento estrangeiro direto (IED) tenham impulsionado significativamente a criação de empregos no setor manufatureiro dos EUA em 2024, espera-se que o setor de móveis sofra uma grave crise no ano que vem.
De acordo com o Relatório Anual de 2024 da Reshoring Initiative, as atividades anunciadas de reshoring e IED geraram aproximadamente 244,000 novas posições na indústria dos EUA em 2024. No entanto, os anúncios de empregos específicos para a fabricação de móveis devem cair 70% ano a ano em 2025 — diminuindo de 1,970 posições em 2024 para cerca de 600. Isso representa um dos maiores declínios previstos entre todos os setores analisados.
A perspectiva geral para a relocalização e a criação de empregos via IED em 2025 também é mais moderada. As projeções sugerem que cerca de 174,000 novos empregos serão anunciados, representando uma queda de 29% em relação aos níveis de 2024. Analistas atribuem a desaceleração mais ampla à incerteza política, ao fim dos subsídios governamentais e às contínuas desvantagens de custo em comparação com a manufatura offshore.
O relatório observa que os anúncios acumulados de emprego provenientes de relocalização e IED ultrapassaram 2 milhões desde 2010. Os setores de alta tecnologia continuam sendo os principais impulsionadores desse crescimento, respondendo por 88% dos empregos de 2024 e cerca de 90% dos anúncios do início de 2025. Os principais setores incluem eletrônicos, baterias para veículos elétricos e equipamentos de transporte.
Esse contraste ressalta a dificuldade persistente em atrair de volta aos Estados Unidos indústrias de baixa tecnologia e mão de obra intensiva, como a de móveis. Fatores como o aumento dos custos de produção, o potencial limitado de automação e a escassez de mão de obra qualificada prejudicam a competitividade doméstica de muitas empresas desse setor.
“A reconstrução da base industrial dos Estados Unidos exige uma relocalização bem-sucedida, investimento estrangeiro e políticas industriais robustas”, afirmou Harry Moser, presidente da Iniciativa de Relocalização. “Embora haja progressos significativos, lidar com a escassez de mão de obra e as lacunas nos custos de fabricação é essencial para que os EUA mantenham o impulso.”
O relatório também destacou que a relocalização de empresas sediadas nos EUA superou o investimento estrangeiro direto pela maior margem registrada. Além disso, as tarifas são cada vez mais citadas como um fator nas decisões de realocação, sendo mencionadas com 454% mais frequência nos casos do início de 2025 do que no ano anterior.


















